Semana da Mulher: conheça a trajetória de duas mulheres inspiradoras na CNM

No dia 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) aproveita a semana para homenagear Tânia Ziulkoski e Dalva Christofoletti, fundadoras do Movimento Mulheres Municipalistas. Em entrevista à Agência CNM, elas revelam detalhes de sua caminhada enquanto mulheres e defensoras do movimento municipalista.

Tânia Ziulkoski começou a acompanhar a política estudantil quando ainda estava na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), por volta do ano de 1975. Como bem lembra, a ditadura militar pairava no Brasil; era também um momento delicado para lideranças estudantis e qualquer tipo de oposição.

Ao terminar a faculdade de Direito, ela passou a trabalhar na área e a acompanhar mais de perto a atuação do homem que viria a se tornar um líder municipalista, e presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. “Eu ia muito às reuniões que ele fazia. Ia aos congressos, onde ele trazia pessoas de nome, e continuei o acompanhando, como faço até hoje”, recorda.

Essa liderança política, ainda construída na juventude, também se nota na história de Dalva Christofoletti. Ela sempre foi uma aluna exemplar e deixou essa marca nos locais onde estudou. Seu desempenho chamou a atenção do prefeito de Rios Claros (SP), que a convidou a conhecer a Câmara Municipal de Vereadores. Ela não sabia que esse seria o seu primeiro passo para se aproximar da causa municipalista.

“Assim começou a minha história, participando da Associação Paulista de Municípios (APM), onde estou há 64 anos. E eu sempre participei do movimento nacional; inclusive, nós tínhamos fundado o Conselho Brasileiro de Integração Municipal. E na Constituinte de 1987 eu comecei a viajar o país inteiro, com o presidente do Conselho, e comecei a conhecer a realidade brasileira”, disse.

Nessas viagens, Christofoletti percebeu que havia no país uma única entidade municipalista. Entretanto, ela era composta basicamente por parlamentares. “Os Municípios começaram a ficar sem quem cuidasse deles”, explicou a fundadora da CNM. O contexto favoreceu a criação da Confederação Nacional de Municípios em 1980. Christofoletti e um grupo de visionários fundaram a entidade, que hoje se revela como a principal voz dos Municípios brasileiros.

Nem tudo são flores

Nessas quase quatro décadas de atuação, Christofoletti lembra que precisou abdicar de vários momentos com a família para poder continuar atuando em favor dos Municípios brasileiros. “Foram muitas barreiras. Eu tinha filhos pequenos e ele [meu esposo], quando eu ficava no Amazonas três meses, por exemplo, levava as crianças na rádio amador para poder falar comigo. Devo muito a ele”, revela. Em seguida, complementou: “ele entendeu que para eu me realizar, como pessoa inclusive, eu precisava dessa liberdade e espaço para essa ação”.

Tânia Ziulkoski concorda que ter o apoio do parceiro é fundamental. “Faz toda a diferença. Poucos homens entendem a vida de uma prefeita, de uma vereadora. O Paulo sempre me apoiou, sempre me deu força, até porque eu participei muito da vida dele política”, pontuou. Tânia Ziulkoski e Dalva Christofoletti têm liderado há um ano o Movimento Mulheres Municipalistas (MMM), oficialmente lançado na XX Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.

MMM

No Brasil, apenas 643 mulheres foram eleitas para o cargo de prefeita quando analisado o pleito de 2016. Esse número revela uma participação feminina de 11,5%, diante da existência de 5.568 Municípios. Tendo em vista esse cenário, a Confederação lançou o Movimento Mulheres Municipalistas. O intuito do projeto é aumentar a representatividade delas na política, bem como incentivar a participação feminina nesses espaços.

O MMM é composto por representantes mulheres, indicadas pelas entidades municipalistas estaduais de todo o país. Frequentemente, se reúne para auxiliar a alavancar pautas-chave aos Municípios brasileiros e somar força ao movimento. Mais uma vez, a CNM atua como pioneira, abrindo espaço para a voz feminina na entidade.