Professora mapeia locais onde mulheres são assediadas em Toledo/PR

Mapa foi feito a partir de entrevistas e está exposto na Casa da Cultura (Reprodução G1)
Mapa foi feito a partir de entrevistas e está exposto na Casa da Cultura (Reprodução G1)

Após sofrer assédio às vésperas do Dia Internacional da Mulher, em 2014, uma professora de artes de Toledo, no oeste do Paraná, decidiu mapear os locais da cidade onde este tipo de abuso ocorre. O resultado do trabalho foi divulgado em matéria do G1-RPC. Para ler a matéria na fonte original clique aqui.

A iniciativa da professora Geisa Silva, de 24 anos, apontou 103 pontos de assédio e foi apresentada em exposição na Casa da Cultura do município em março deste ano. “Percebi o quanto o assédio era comum aqui (…) o que me levou a pensar em algum trabalho a ser feito. Comecei então a montar a ideia para uma intervenção urbana”, lembra a professora que voltara a morar em Toledo, após quatro anos vivendo no Espírito Santo, onde cursava artes visuais.

Para elaborar o mapa, Geisa foi às ruas para entrevistar mulheres, com a ajuda de três colaboradores. Cada uma das 20 entrevistadas desta primeira etapa, segundo a professora, citou dois ou mais locais, totalizando 43 pontos de assédio. A coleta de dados se concentrou na área central da cidade e no Lago Municipal. Em 2015, a professora voltou às ruas e ouviu mais de 40 mulheres para expandir a pesquisa.
Os apontamentos das duas pesquisas de campo foram organizados em um mesmo mapa. “Há desde assédio sexual até o assédio na rua, como piadinhas, ou quando o homem pensa que pode designar a mulher do jeito que quiser”, descreve. No mapa, os assédios não são especificados, o objetivo é mostrar a frequência das ocorrências e as consequências para a mulher.

Para a professora, a raiz do problema está no machismo da sociedade, o que a faz acreditar que a mulher é assediada devido à sua condição. “A mulher que anda na rua fica vulnerável a qualquer tipo de assédio. É muito comum pensar que para evitar o assédio basta que a mulher não ande sozinha por certos lugares e em determinados horários, ou que não se vista com roupas que chamem muito a atenção”, comenta.
Além do mapeamento, a professora também marcou os lugares citados pelas entrevistadas com placas. Cada uma trazia a expressão com o sentimento da mulher quando o assédio ocorreu. O próximo passo será a ampliação para outros bairros de Toledo.