Pesquisa aponta que 66% das mulheres foram vítimas de algum tipo de violência

pesquisa avon 2014
A pesquisa ouviu mais de 2 mil jovens com idades entre 16 e 24 anos, nas cinco regiões do país (Foto: Divulgação)

Um terço das mulheres jovens já foi xingada ou impedida de usar determinada roupa, 40% declaram que o parceiro tentou controlá-las por meio de ligações telefônicas para saber onde e com quem estavam, e 53% já tiveram mensagens ou ligações no celular vasculhadas. Os dados fazem parte da pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular “Violência contra a mulher: o jovem está ligado?”. O material foi divulgado na quarta-feira (3/12) e mostrou os altos índices de naturalização da violência nos relacionamentos e uso do espaço virtual como ferramenta de controle entre os jovens.

Foram ouvidos mais de 2 mil jovens com idades entre 16 e 24 anos, nas cinco regiões do país, sobre temas como relacionamento afetivo, relacionamentos virtuais, sexualidade, Lei Maria da Penha e violência entre casais. Para ler o material na íntegra clique aqui.

Ao serem questionadas, com base em uma lista de agressões apresentadas sobre algum tipo de ataque sofrido, 66% das mulheres responderam positivamente. Já 55% dos homens admitiram ter praticado alguma das ações mencionadas na sondagem – xingar, empurrar, ameaçar, dar tapa, impedir de sair de casa, proibir de sair à noite, não deixar usar determinada roupa, humilhar em público, dar um soco, obrigar a ter relação sexual sem vontade e ameaçar com arma, entre outras.

A pesquisa reafirma que a violência tem relação com a herança familiar, ou seja, autores de violência conviveram mais com agressões no lar. Na enquete entre os homens que vivenciaram a violência doméstica, 64% praticaram algum tipo de agressão a alguma companheira. Dos jovens entrevistados, 43% disseram já ter visto a mãe ser agredida pelo parceiro e 47% afirmaram que interferiram em defesa da mãe.

Chama a atenção a existência de uma falta de percepção sobre a conduta violenta. Apenas 4% dos jovens do sexo masculino admitiram ter praticado alguma atitude violenta contra a namorada ou a esposa. Quando sondadas, a proporção de mulheres que declararam ter sido vítimas de agressão foi 8%.

Um total de 37% das mulheres relatou ter tido relações sexuais sem camisinha por insistência do parceiro. Além disso, mais da metade dos entrevistados (76%), dos dois sexos, manifestou ser contra o comportamento de mulheres que tenham vários “ficantes” ou “casinhos” e 38% condenaram o comportamento da mulher que tem relações sexuais com vários homens.

A percepção dos homens

Em 2013, também pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular, foi divulgada uma pesquisa sobre a percepção dos homens em relação à violência contra a mulher. A pesquisa entrevistou homens e mulheres acima dos 16 anos. Comparando com a pesquisa mais recente percebe-se pouca diferença em relação a essa visão machista que permeia homens e mulheres.
A visão tradicional da masculinidade na pesquisa foi associada a experiências de violência e repressão. Condutas femininas foram classificadas como inaceitáveis de acordo com os homens entrevistados em 2013. Como ficar bêbada (86%), sair com amigos (as) sem o marido (69%) e usar roupas justas e decotadas (46%).

O levantamento anterior também mostrou um retrato muito importante da violência contra as mulheres no Brasil, como 41% da população brasileira conhecer algum homem que já foi violento com a parceira. Por outro lado, quando entrevistados, apenas 16% dos homens confirmaram ter sido violentos com a atual ou ex-companheira, e apenas 12% dos que estavam em um relacionamento assumiram ter sido violento com a parceira atual.

Clique aqui e acesse na íntegra Percepções dos Homens sobre a Violência Doméstica contra a Mulher (2013).

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