OMS relata violência obstétrica sofrida por mulheres em 34 países

Entre as formas de violência contra a mulher, a obstétrica atinge centenas de futuras mães diariamente. Os abusos vão desde o tratamento dado pela recepcionista das maternidades, às imposições médicas na hora do parto, até violência física e sexual. Uma pesquisa sobre o parto, feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 34 países revelou  essa triste realidade. O assunto foi matéria no Jornal Hoje, da Rede Globo, no dia 14 de agosto. Para assistir na íntegra, clique aqui.

A gravidez trouxe esperança para a atendente Marilene Ferreira dos Santos depois de um aborto natural na primeira gestação: “Só passa na minha cabeça que, se Deus quiser, vai ser um parto muito bom. Ela vindo com saúde, ta tudo bom”.

Este é um momento muito esperado e planejado com carinho para que seja um dia especial, mas para muitas mulheres, o tratamento que elas recebem durante o parto pode gerar um trauma difícil de ser superado.

A empreendedora Ana Paula Garcia precisou fazer tratamento psicológico para se recuperar do que passou no dia do parto: “Eu sabia dos riscos de uma anestesia e eu não queria. Eles me aplicaram sem meu consentimento. Eles me amarraram em uma maca ginecológica e amarraram minhas pernas. Fiquei presa. É um abuso institucional fazer isso num momento em que eu estava fragilizada, recebendo procedimentos que eu não autorizei”.

Isso é o que os especialistas chamam de violência obstétrica e que foi tema da pesquisa mundial da OMS. Os médicos identificaram os maus tratos, a violência física ou sexual, o preconceito ou a discriminação e o não cumprimento de padrões exigidos nos hospitais como os principais problemas paras mulheres na hora do parto.

No Brasil, o estudo foi feito por médicos da USP de Ribeirão Preto. Eles constataram quatro situações: abuso verbal, restrição de acompanhante no parto, contenção física da mulher na mesa de cirurgia e relação ruim entre os profissionais de saúde com a gestante.

“Um tratamento que não seja digno e respeitoso não é correto. Então, esse é um ponto de partida, comunicar isso e assegurar as mulheres que elas devem ser tratadas de forma digna e respeitosa, que é um direito que ela tem”, explica João Paulo Souza, professor do departamento de medicina social da USP de Ribeirão Preto.

Assim que soube da gravidez, a dona de casa Jessica Naiara Souza escolheu o hospital por achar que era mais bem equipado, mas se decepcionou porque foi vítima de violência obstétrica. “A enfermeira foi a única pessoa gentil comigo. Ela tentou me acalmar, mas o anestesista foi grosseiro e eu fiquei esquecida no bloco cirúrgico depois de ser suturada por cerca de umas duas”, relata.