Aplicativo que permite registrar locais mais perigosos para mulheres chega a América Latina

Um aplicativo que identifica locais mais inseguros para mulheres transitarem na cidade já está em funcionamento na América Latina. Trata-se de uma plataforma de celular que por meio de fotos mostra os lugares mais perigosos. Quatro motoristas, sendo dois deles taxistas, vão percorrer 4.000 quilômetros em Bogotá, capital colombiana, até o fim do projeto. Milhares de fotos serão analisadas e será possível saber o que falta à cidade para dar segurança às mulheres.

Aplicativo cria rota de locais perigosos a partir de informações dos usuários. (Crédito da imagem: divulgação)
Aplicativo cria rota de locais perigosos a partir de informações dos usuários. (Crédito da imagem: divulgação)

A coordenação do projeto selecionou os colaboradores e fixou um aparelho celular no veículo de cada um. O celular tira fotografias a cada 50 metros de forma automática. O aplicativo digital Safetipin permite desenhar a rota que o motorista irá percorrer a partir das informações que os próprios moradores da cidade registram na plataforma.

Carlota Alméciga Romero, encarregada do projeto, conta em entrevista ao jornal El País que essa é a primeira vez que uma cidade latino-americana busca por meio de fotos e de um aplicativo os lugares mais perigosos. O projeto já está em andamento também em outras duas cidades do mundo, Nairóbi, capital do Quênia e Nova Délhi, capital da Índia. “Nos unimos a essas cidades porque, apesar de sermos tão diferentes, temos em comum a violência contra as mulheres”, relata Carlota.

A cada 14 minutos uma mulher é agredida por seu parceiro na Colômbia. Em 2014, 16.000 dos quase 20.000 exames médicos legais realizados por violência sexual no país foram em mulheres, segundo informação da organização Sisma Mujer. Dados do Instituto Médico Legal, de 2010 a 2014, mostram que 680 mulheres foram assassinadas, outras 16.300 violentadas sexualmente e mais de 53.000 agredidas fisicamente em Bogotá. A rua é um dos cenários mais hostis para elas. Ao menos é o que registra o Safetipin. De acordo com a análise das usuárias do aplicativo, nas regiões mais pobres, no sul de Bogotá, são usadas armas brancas (facas, navalhas e canivetes) para provocar ferimentos, enquanto nas zonas de mais dinheiro, no norte, utilizam armas de fogo com silenciador. Os lugares onde as mulheres se sentem mais inseguras são os parques, as pontes, as construções em obras e os cerca de 200 canais que existem em Bogotá. Vários casos de roubo e violência sexual que ocuparam as primeiras páginas de jornais deixaram suas marcas nesses lugares.

O projeto, cujo custo supera o equivalente a 775.000 reais, é patrocinado pela associação Cities Alliance, que promove o papel das cidades para o desenvolvimento sustentável, e tem a coordenação da Secretaria da Mulher de Bogotá.

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